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Um mal entendido numa noite na bela Londres

Marão Freitas em 18 de julho de 2018 às 14:30

Em 1988, a Seleção Brasileira fez uma excursão de três jogos na Europa. Um dos jogos foi realizado no estádio de Wimbledon, em Londres. Fiz uma parceria com o meu amigo Dilson Barbosa, da Rádio Sociedade de Feira de Santana, e o pessoal da Rádio Clube de Pernambuco. Fui com o saudoso Ruy Araújo, pela Rádio Cultura, Dilson Barbosa e Jair Cesarinho, pela co-irmã de Feira de Santana.

 

Eu e o Dilson chegamos mais cedo em Londres e deixamos o endereço para Jair Cesarinho pegar um táxi no aeroporto e ir ao nosso encontro. Tudo certo. Cesarinho pegou um táxi e por volta de meia-noite chegou no hotel onde estávamos hospedados. Como poderia ocorrer algum problema e o colega não aparecer, deixamos para fazer o seu registro no dia seguinte.

Tínhamos um fuso de 4 horas na frente do Brasil. E estávamos gravando boletins para o dia seguinte. E normalmente aumentávamos o nosso volume de voz. De repente, alguém bate na porta do nosso apartamento. Não imaginamos quem poderia ser naquela hora. Era o recepcionista do hotel. Na oportunidade, o meu inglês era muito pobre e os outros três não falavam nada.

Pensamos: o cara veio cobrar a diária de Jair Cesarinho. Decidimos, então, colocá-lo no armário para que o inglês não o visse, caso entrasse no apartamento. O cidadão falava em voz alta. E fazíamos gestos de que no dia seguinte pagaríamos a diária do quarto ocupante do apartamento. Mas o cara continuava falando e ninguém entendia nada. De repente, ele desceu.

Pensamos em descer e fazer o pagamento da diária de Cesarinho. Mas desistimos e continuamos a gravar os boletins. Pouco tempo depois, o cara volta. E desta vez, mais irritado. E ninguém entendia ninguém.

- Pessoal. Só tem um jeito. Vamos pedir desculpas ao Osvaldo Maciel e pedir que a mulher dele nos ajude a resolver o problema. Ela fala bem inglês, porque morou aqui em Londres. Falei para o grupo. Maciel estava cobrindo a excursão para a Rádio Jovem Pan de São Paulo.

Descemos, fomos ao segundo andar, já por volta das 2 horas da manhã (hora local), e batemos no apartamento do Maciel.

- Maciça, deculpa aí, parceiro. Estamos com um problema e gostaríamos que a sua mulher nos ajudasse.

Pronto. A mulher do Maciel desceu, foi na portaria e nós (eu e Dilson Barbosa) já estávamos com o dinheiro na mão para fazer o pagamento restante. Ficamos na expectativa, enquanto os dois conversavam. De repente, ela nos disse:

- O problema é que vocês estão falando muito alto, fazendo zoada e embaixo do apartamento de vocês tem um casal de idosos que vai viajar cedo e os dois não estão conseguindo dormir. Não tem nada de falta de pagamento.

Nossa, foi um alívio. Voltamos para o apartamento, paramos de fazer os boletins, e no dia seguinte fizemos o pagamento devido. A partir deste episódio, decidí que tinha de aprender a falar inglês, pois viajar para o exterior sem saber se comunicar é realmente muito complicado.

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