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Marão Freitas em 29 de janeiro de 2018 às 14:19

No ano de 2003 ou 2004, (se não me falha a memória) o Vitória foi jogar em Boa Vista contra o Atlético de Roraima, pela Copa do Brasil. Eu e, o meu amigo, repórter Dito Lopes, viajamos para cobrir a partida para a Rádio Excelsior. Foi uma longa viagem, pois saimos de Salvador, por volta das 15 horas e 30 minutos, num avião da extinta Varig, e só chegamos ao nosso destino cerca de 2 horas da madrugada do dia seguinte. 

 

No primeiro trecho Salvador / Rio, toi tudo normal até o pouso no aeroporto do Galeão. Lembro que estava sentado numa poltrona ao lado do técnico Joel Santana e ele relembrava a fatídica (para o Vasco) final do Campeonato Carioca, em que Petkovick marcou um gol de falta, aos 44 minutos do segundo tempo, tirando o título do Vasco e tornando o Flamengo campeão.

 

Quando o avião pousou no aeroporto do Galeão, simplesmente, todas as máscaras de oxigênio da parte superior cairam sobre a cabeça dos passageiros. O avião tocou no chão com uma violência incrível. Todos se assustaram. Confesso que ao longo das minhas quase nove mil horas de võo, nunca ví um pouso terrível igual àquele. Na saída, perguntei á comissária de bordo o que foi aquilo. Ela sorrindo, respondeu:

 

- Nada . Devemos parabenizar as mulheres. Afinal, foi a nossa comandante quem fez este pouso.

 

Aqui prá nós, nada a ver. Joel Santana disse na saída:

- É por isso que vou encerrar a minha carreira de treinador mais cedo. Não dá para suportar um pouso igual a este.

 

Mas, vamos nós para a segunda etapa da viagem. O trecho foi Rio / Brasília. Nesta etapa, tudo tranquilo. Pegamos um outro avião. Desta vez para Manaus. Depois de 2 horas e meia de vôo, começamos a sobrevoar a capital amazonense e o comandante falou:

- Senhoras e senhores. Devido ao mau tempo, vamos ter de sobrevoar Manaus até que o tempo melhore, para fazer o nosso pouso.

 

Depois de mais ou menos 30 minutos, pousamos no aeroporto Eduardo Gomes. Só que, devido às fortes chuvas, várias poças foram formadas na pista. Ocorreu .então, o fenômeno chamado aquaplanagem. As rodas do avião deslizaram na água e o comandante não conseguiu parar. Ele foi obrigado a arremeter (levantar vôo de novo). Mais 20 minutos de espera e depois o pouso normal.

 

Finalmente, o último trecho. Manuas / Boa Vista. Tudo tranquilo. Quarenta minutos de vôo e chegamos na capital de Roraima. Fim da "odisséia" e graças a Deus chegamos em paz. A tripulação do avião da Varig ficou hospedada no mesmo hotel em que estávamos. Mais tarde, no final da manhã, fiz uma entrevista com o comandante e perguntei sobre o episódio de Manaus e ele explicou que não é normal, mas nada perigoso. E, na malícia, perguntei sobre o episódio que aconteceu no Rio. Ele pediu desculpas, mas disse que não podia falar, pois não sabia o que aconteceu. Eu tinha certeza de que ele iria responder isso, mas repórter tem de perguntar, mesmo.

 

O melhor de tudo foi que o Vitória ganhou por 2 a 1 e no jogo de volta, no Barradão, eliminou o seu adversário e passou para a próxima fase da Copa do Brasil.

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