
Se a partida tinha ares de filme épico, dessa vez o Fluminense não teve um final feliz. Acostumado a fazer o mais difícil durante a competição, o Flu fez 3 a 1 no tempo normal. O placar no Maracanã com dois gols de diferença levou a partida para prorrogação e pênaltis. Foi aí que contou a experiência do goleiro José Cevallos. O arqueiro que jogou machucado e mostrava insegurança durante o jogo, pegou as cobranças de Conca, Thiago Neves e Washington e garantiu o título para os equatorianos. Foi a primeira vez que a LDU conquistou o título da Taça Libertadores. No primeiro jogo, em Quito, os equatorianos venceram por 4 a 2.
A festa estava bonita. Mais de 78 mil torcedores, recorde na temporada no Maracanã, fizeram a festa com fogos de artifício, sinalizadores, bandeiras e camisas. Esperavam ver o Fluminense conquistar a virada para cima da LDU, assim como fez com os gigantes São Paulo e Boca Juniors. Mas logo aos cinco minutos aconteceu o que a torcida tricolor menos queria ver. Guerrón recebeu lançamento pela direita, chamou Ygor para dançar, levou a bola no fundo e cruzou para trás. Bolaños, livre, chutou forte, no canto direito de Fernando Henrique e abriu o placar. Silêncio no Maracanã.
Logo depois, Washington recebeu bola de Cícero, se livrou do zagueiro e do bico da pequena, se marcação nenhuma chutou para fora, longe do gol. Quando o desespero começava a bater na torcida do Flu, Thiago Neves arriscou de fora da área. O chute foi fraco, no canto, mas o goleirão equatoriano aceitou, para delírio da torcida tricolor. O time da LDU abusava em fazer cera e o ábitro argentino, Hector Baldassi abusava no erros. Aos 28 minutos, quando o técnico Renato Gaúcho já preparava Dodô para tentar resolver a falta de gols veio a esperança. Junior César cobrou lateral inteligentemente para Cícero, que cruzou para Thiago Neves que antecipou o zagueiro e virou o jogo.
O Fluminense poderia ter chegado aos dois gols de vantagem que precisava ainda no primeiro tempo. Washington foi derrubado por Ambrossi na área, Pênalti que o árbitro Hector Baldassi não deu e revoltou a torcida. Fim da primeira etapa e o Fluminense estava no caminho para marcar mais dois gols e conquistar o título.
Para o segundo tempo, enfim o técnico Renato Gaúcho colocou Dodô no lugar de Ygor, recuando Cícero que passou a jogar como segundo volante. E o artilheiro dos belos gols tentou logo no primeiro lance. Dodô deixou o zagueiro equatoriano sentado e tentou bater bonito mas errou. Logo depois o camisa 11 do Flu dominou na área e chutou a bola que desviou em Calle, bateu na trave e foi para escanteio.
Mas quem acordaria de vez a torcida no Maracanã seria, mais uma vez, Thiago Neves. O camisa dez sofreu falta na entrada da grande área. Ele mesmo bateu e acertou o canto esquero de Cevallo que chegou atrasado na bola. 3 a 1 Fluminense, resultado que levaria a partida para a prorrogação. A LDu resolveu sair para o jogo e marcar o gol que garantiria o título. Urrutia foi o primeiro. Ele arriscou de fora da área e Fernando Henrique mandou para escanteio. Em outra jogada, Bieler chutou prensado na entrada da área. A bola foi masacada, devagarinho e bateu caprichosamente no pé da trave direita.
As duas equipes diminuiram o ritmo. o tricolor quase marca em um chute de fora da área de Conca. Cevallo passou da bola mas esticou o braço para garantir os 3 a 1 e levar a decisão para prorrogação.
Prorrogação e pênaltisA prorrogação teve poucas emoções. A LDU procurava ganhar tempo em bolas paradas, enquanto o Fluminense, desconfiado da credibilidade do goleiro equatoriano, tentava chutes de fora da área. Apenas nos cinco mintos finais da prorrogação a adrenalina aumentou. Aos 11 minutos, o trio de arbitragem anulou erradamente o gol de cabeça feito por Bieler. Logo depois boa trama do Fluminense que terminou no pés de Thiago Neves. O meia bateu no contra-pé de Cevallo que fez grande defesa.
Quando o juiz argentino pensava em apitar o final da prorrogação, um contra-ataque rápido da LDU quase termina em gol. Guerrón deu um pique impressionante do campo de defesa da LDU e ganhou na corrida dos zagueiros do Flu. Luiz Alberto foi obrigado a derrubar o astro equatoriano na entrada da área. Como já tinha cartão amarelo, foi expulso. Na cobrança da falta, bola na barreira, fim da prorrogação. A decisão seria nos pênaltis.
Quem abriu a série foram os equatorianos. Urrutia chutou forte no meio do gol, sem chances para Fernando Henrique que caiu para o lado direito. O argetino Conca, primeiro cobrador tricolor bateu forte, mas no meio e Cevallos defendeu.
Campos bateu o segundo pênalti para a LDU. Para reacender a esperança tricolor Fernando Henrique defendeu e ouviu seu nome vindo das arquibancadas. A missão de deixar a série empatada era de Thiago Neves, até então herói do jogo. Mas os papéis se inverteram. O goleiro que havia falhado em dois gols do camisa 10 dessa vez não decepcionou. Depois de reclamar da demora da cobrança, Cevallos defendeu com os pés.
O terceiro pênalti dos equatorianos foi cobrado por Salas que não perdoou. 2 a 0 LDU. Cícero foi o terceiro cobrador tricolor e o primeiro a marcar. Guerrón abriu a quarta série e mostrou o por quê da fama de bom jogador. Ele tomou muita distância e bateu sem chances para a defesa de Fernando Henrique. 3 a 1 LDU que praticamente tinha uma mão na taça.
Quem ajudou os equatorianos a colocar a outra foi Washington que bateu no canto direito para a terceira defesa de Cevallos. A LDU era campeã da Libertadores. A festa tricolor deu lugar ao silêncio e ao choro no Maracanã. Festa mesmo era da torcida equatoriana.